FOTOAFORISMOS

lunes, 19 de diciembre de 2011

Nietzsche está de moda?

foto Lori de Almeida
Neste ano de 2011 que se acabará dentro de um mês, já são quatro pelas minhas contas as publicações editoriais, em formato de revista temática, que coincidiram em oferecer um protagonismo de capa, de editorial, de matéria e de reportagem a este pensador que muitos rendem homenagem. É um pensador diferente, como muitos também o são, mas me permitirei – diante de todos – cometer aqui alguns dos meus costumeiros equívocos particulares. Fico feliz, primeiramente, e gostaria mesmo que sua literatura e filosofia pudessem oferecer alento a tantas pessoas que queremos: suas palavras fortes e a educação sem distancia da sua escritura sempre serão reforços que nos ajudarão a suportar as también tragédias do cotidiano da humanidade. Muito pior situação terá que se enfrentar aquele que se atreva existir demasiadamente humano.
Para além do mal tem que se aprontar o olhar no momento de querer entender estas tragédias que constantemente vive a humanidade e, quem sabe mesmo, identificar nelas algo da nossa natureza humana no mundo. Para Nietzsche é preciso que cada homem identifique sua força elementar no mundo. Para além do bem se deve perscrutar a alma humana se em realidade queremos conhecer os seus fins e meios e não se poderá dizer que esta curiosidade trará boa fortuna a quem o proceda fazer.
É impossível não encontrar a polêmica nos seus textos e aforismos, basta olhar para sua escritura para ver seu formato de expressiva manifestação sobre o papel. Os hifens, os pontos de interrogações e exclamações, os parênteses nos chegam aos ouvidos como instantes em que o autor nos tira para falar em particular e ganhar nossa cumplicidade no que ele diga. E se poderia acusá-lo de confundir a espíritos livrescos com facilidade porque hoje se conhece sua biografia pormenorizadamente: é comum, e às vezes acertado, querer encontrar algumas informações da literatura de um pensador nos seus traços biográficos e justificar sua existência de escritor. Mas quando a vida foge da escrita? Ou quando a escrita foge da vida como não negar a vida escrevendo e como não negar a escrita vivendo. Somente o leitor que sente o vitalismo de Nietzsche poderá intuir a vida que ele lamentou não ter vivido.

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